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Luciano Hang assume que pensa em se candidatar e nega ser "chapa branca"

Empresário catarinense diz que conversa com a família e os amigos e deve decidir até abril se vai entrar na disputa em 2022; ícone do setor privado que apoia o governo.

Por Gabriel Bosa/Jovem Pan em 22/11/2021 às 12:09:10
DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO

DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO

O empresário catarinense Luciano Hang está cogitando uma candidatura nas eleições de 2022. Em entrevista exclusiva ao site da Jovem Pan, o dono das lojas Havan e notório apoiador do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) disse que discute a ideia com a família e os amigos. "Estou pensando, antes eu nem pensava", afirmou. O cargo e o partido ainda não foram definidos, mas constantemente o nome de Hang figura entre os possíveis candidatos ao Senado por Santa Catarina. "Fui convidado para, de repente, ser alguma coisa, mas vou esperar", diz, colocando um limite até abril do ano que vem para se decidir. O empresário, que está na lista das pessoas mais ricas do país, virou um ícone do seleto grupo dos donos do dinheiro que abraçaram publicamente as bandeiras bolsonaristas. Hang, no entanto, diz que o rótulo é usado como forma pejorativa e afirma não ser "chapa branca para dizer amém para tudo que o governo Bolsonaro faz". "Todas as vezes que o Bolsonaro quer fazer alguma reforma, eu me posiciono. E também sou contra", diz, citando a sua defesa pela volta do horário de verão como meio de estimular a criação de empregos. O empresário também aponta a falta de diálogo do presidente como um ponto negativo. "Temos de conversar mais com o Congresso."

As manifestações de apoio a Sergio Moro após a sua ruidosa saída do Ministério da Justiça, em abril do ano passado, levaram aos rumores de um possível afastamento de Hang do governo. Com a iminente possibilidade de o ex-juiz se tornar um adversário de Bolsonaro nas eleições do próximo ano, o empresário prefere ficar em cima do muro. "Sobre o candidato que vou escolher no ano que vem, ainda está cedo", esquiva. O catarinense, que também se classifica como um ativista político, critica o que ele chama de antecipação das eleições e afirma que o Brasil precisa ser passado a limpo. "O Brasil precisa de mais transparência", diz. O empresário foi diagnosticado com dislexia e afirmou que usa a sua condição como instrumento para se comunicar com as pessoas. Sobre a alcunha de "Véio da Havan" — que Hang chegou a adotar de forma bem humorada em vídeos que compartilha nas redes sociais —, o catarinense disse que não se incomoda e afirmou mostrar o seu lado sério ao prestar depoimento na Comissão de Inquérito Parlamentar (CPI) da Covid-19, na qual foi indiciado pela suspeita de disseminação de fake news — o que ele nega que tenha feito. Confira abaixo os principais trechos da entrevista:

Como empresário, como o senhor avalia esses três anos do governo Bolsonaro? No primeiro momento, houve um problema de antagonismo entre os presidentes das Casas e o governo. A própria reforma da Previdência demorou quase um ano para acontecer, e o Brasil tem pressa. Eu continuo achando que nós precisamos reduzir o tamanho do Estado e privatizar. O governo não tem competência para cuidar de nada, mal [cuida] da saúde, segurança e educação. Reduzir essa máquina vai demorar, há muitos interesses dos próprios parlamentares que procuram o governo para conseguir tocar uma estatal. Tenho certeza de que o Brasil só vai mudar quando nós mudarmos a política e o pensamento das pessoas. Precisamos ter um Congresso também voltado para as reformas. O presidente não é o salvador da pátria. Ele pode ter todos os interesses possíveis para querer mudar o país, colocou um grupo de ministros fantásticos, mas não foi muito bem com o Congresso.

O governo tem se esforçado para melhorar o ambiente de negócios? Eu fui ativista político durante a campanha de 2018, mas não estou lá no dia a dia do governo. Eu sinto que o primeiro escalão tenta fazer, e os outros escalões não deixam. Tem muita gente entranhada no governo não deixando fazer e que não querem que aconteça. Primeiro, há uma dificuldade de passar no Congresso, e depois, nas outras áreas do governo. Tudo torce contra. Em uma empresa privada, isso é muito fácil. Você dá ordens e as coisas acontecem, mas em um governo não é assim. Precisamos de um governo realmente focado, a equipe tem que ser muito forte, e isso vai demorar décadas, porque há décadas se formou essa máquina gorda, ineficiente e incompetente em todas as esferas e que não deixa o país andar.

O senhor sai como candidato nas eleições de 2022? Eu vejo tantos candidatos ruins que penso como essas pessoas se candidatam. Nunca tocaram uma birosca, uma máquina de fazer suco de cana, um carrinho de pipoca e são candidatos a presidente, senadores, governadores. Por isso que o nosso país está do jeito que está, são candidatos ruins que não acreditam no capitalismo, no trabalho, na meritocracia como forma de crescimento, e eu fico triste. Pensando nisso, às vezes me dá a vontade de me candidatar e colocar meu nome à disposição dos catarinenses ou dos brasileiros. Falta competência para os nossos políticos que vão para a política para ganhar dinheiro para si, sua empresa ou fazer lobby para outras empresas. Ou seja, para ganhar dinheiro próprio. Temos de pensar em políticos que trabalham por patriotismo e para o nosso país.

Para esse próximo ciclo político, o senhor pretende sair candidato? Não descarto a possibilidade. Em 2018, entrei como ativista político, mas em 2022 eu estou vendo com a minha família, com filhos, com a minha empresa, com meus amigos. Fui convidado para, de repente, ser alguma coisa, mas vou esperar. Tenho até abril do ano que vem, vou fazer consultas aos meus amigos que estão na política e foram para lá para melhorar o país. Estou pensando, antes eu nem pensava. Não quer dizer que eu vou ser, posso continuar como ativista ou, de repente, posso colocar meu nome à disposição dos brasileiros.

Para qual cargo o senhor considera? Estou pensando ainda. Não sei nem em que partido nem que cargo. Estou com 59 anos, meus filhos estão tocando a empresa, e quem sabe possamos, nos próximos meses, ter mais clareza se eu vou ou não entrar na política.

O senhor disse que ficou decepcionado com a saída de Sergio Moro do governo e classificou o ex-ministro como "herói". O senhor pretende apoiar a candidatura do ex-juiz em 2022 ou vai se manter ao lado de Jair Bolsonaro? Realmente, o Moro fez um grande trabalho no Brasil. Sem a operação Lava Jato, talvez o PT estivesse no poder até hoje. A Lava Jato mostrou as entranhas do poder, das estatais brasileiras, o quanto nós somos roubados diariamente. Sobre o candidato que vou escolher o ano que vem, ainda está cedo. Se antecipou muito as eleições no país, devíamos ter trabalhado e, a partir do segundo trimestre de 2022, falar em eleições. Podíamos ter trabalhado as reformas que mais precisávamos. Como fiz em 2018, lá na frente vou escolher o candidato para apoiar.

O senhor se considera um empresário bolsonarista? Eu não entendo por que fizeram esse carimbo. Não tinha isso com empresários lulistas, do PSDB, emedebistas. A imprensa, principalmente a extrema imprensa, botou esse carimbo em quem apoia o governo. Eu sou um empresário patriota e que torce pelo Brasil. Eu quero as reformas, privatizações, menos burocracia, menos ecochatos. Em 2018, eu só fui ficar ao lado de Bolsonaro a partir de agosto. Eu falei em janeiro que eu era um ativista político, falei com vários candidatos à presidente, e, no dia 17 de agosto, eu apoiei o presidente Bolsonaro. Todas as vezes que o Bolsonaro quer fazer alguma reforma, eu me posiciono. E também sou contra. Por exemplo, desde 2019 eu bato que o Bolsonaro está errando no horário de verão. Parece uma coisa simples, mas tenho contato com presidentes de associações de bares e restaurantes, de hotéis, de turismo, e é um tiro no pé contra o emprego de todas essas categorias. Já me manifestei várias vezes, e não sou chapa branca para dizer amém para tudo que o governo Bolsonaro faz. Eu luto pelo país, e acho que durante esses anos o Bolsonaro tentou empenhar todo o seu esforço e da sua equipe para fazer as mudanças que o Brasil precisa, mas somos sempre atropelados por algum burocrata ou parlamentar.

Quais outros pontos do presidente que o senhor acha que é preciso mudar? Temos de conversar mais com o Congresso. Na política, é preciso conversar com as pessoas para conseguir aprovar aquilo que precisamos. Eu prego a harmonia, a paz e que o Brasil precisa conversar mais. Um líder precisa abraçar mais; se precisar sentar no colo, tem que sentar; se precisar beijar na boca, tem que beijar. O importante é fazer as coisas acontecerem dentro da política e dentro do certo. Precisamos passar o país a limpo, o país precisa de mais transparência e ser mais sincero na hora de falar.

O senhor é um notório crítico do PT, mas a Havan cresceu muito nos governos petistas. Como o senhor analisa essa relação? Eu cresci desde o princípio, independentemente de qualquer partido político. A Havan nasceu no Plano Cruzado do Sarney, em junho de 1986, e já peguei uma crise de frente. Depois, estive por todos os governos, incompetente ou mais ou menos competente, e a Havan sempre cresceu. Para a Havan, não tem muito de governo, tem mais é de trabalho. Mas, se o governo não atrapalhar, já fico feliz.

O senhor adotou o apelido "Véio da Havan" nas redes sociais. Como o senhor divide esse personagem com o Luciano Hang empresário? As pessoas me viram como sou na CPI, ela mostrou o Luciano. Eu tenho dislexia, então eu uso muito a figura de linguagem para me comunicar. Os disléxicos são pessoas criativas. Nós temos muito trabalho para aprender a ler e temos a memória curta, mas somos muito criativos. Fiz isso durante a campanha de 2018, e faço isso há 35 anos na empresa. Toda a Havan é montada em cima do lúdico. Eu sou um personagem que pego a vida real e consigo me comunicar com facilidade. Mas, na hora que eu preciso falar sério, eu mostrei na CPI com quantos paus se faz uma canoa. Não chegamos até aqui sendo um personagem. Nós chegamos até aqui fazendo um trabalho sério, com competência, comprometimento e disciplina. Esse sucesso todo é feito com esse personagem que não dá bola de ser chamado de "Véio da Havan", de "Capitão Brasil", de "Louro José".

Fonte: Jovem Pan

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